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O voto inútil (ou a pretensa sabedoria política de alguns eleitos)

Algumas horas passadas das eleições tento refletir sobre pensamentos (!?) que ouvi e li nos últimos dias.
Vi muita gente, usando religião para criticar o governo que se repetirá por quatro anos tendo como pretexto a defesa da ética política.
Além disso ouvi coisa séria. Ouvi gente despejando maldição sobre o país. Maldição que nem Deus colocou, mas que colocaram sobre o Brasil aqueles que as proferiram em nome do que “entendem ser Deus”.

Li sobre a ira de Deus que estaria sobre o Brasil se o Lula ganhasse de novo. Ouvi isso de amigos calvinistas (poxa, logo os calvinistas que eu prezo tanto!) e tento entender como chegam a esta conclusão.

Não consigo.

Como tiveram a audácia de sondar a mente do Senhor desta forma? (I Co 2.16)
Ou será que as previsões políticas, quando não são do seu agrado, também não são do agrado de Deus?

Ora, porque se, como calvinistas que são, entendem que mais um ano do PT é castigo de Deus sobre a nação, então esta só poderia ser a vontade de Deus: castigar a nação!
E sabendo que esta era a vontade de Deus desde o início, votando eles no Alckmin, votaram contra a vontade de Deus!

Sei que não fizeram isso.

Fizeram sim justificar a vitória do governo com o qual não concordam (e tem todo o direito de não concordar) com suas visões pessoais de Deus. E isso é perigoso. Tornar Deus tão pessoal, tão domesticado, que podemos abençoar e amaldiçoar, dizendo que foi Ele.
Guarde-se de fazer isto.

Vi e ouvi gente dizendo que não ia votar no Lula por causa da corrupção[1] do primeiro mandato. Mas foram poucos os que vi declarando o porquê de votar no Geraldo.
Fizeram do seu voto uma inutilidade, não como suporte de uma realidade política que condizia com o seu ideal, mas para evitar algo que não gostariam que acontecesse. Até aí é o direito de cada um, apesar de não entender essa posição. Afinal tornaram seu voto inútil, não porque votaram em quem votaram, mas porque votaram sem acreditar nem conhecer as propostas do candidato escolhido.

Seu direito... Sua escolha...

Mas não me venha falar de castigo de Deus sobre o Brasil!
Vamos crescer como gente e em nosso relacionamento com o Senhor, aprender a perder (se é que evitar os girondinos é derrota!) e – principalmente – orar pela paz de nossa cidade (Jeremias 29.7).

“Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR; este, segundo o seu querer, o inclina.” (Pv 21.1)


[1] Aliás esqueceram completamente dos anos de corrupção com PSDB e FHC, com propinas e favorecimentos nas privatizações, compra de votos de parlamentares, Proer, Sudam, verbas do BNDES, Fundação Teotônio Vilela, Calote no Fundef, desvios na Sudene, Marka/FonteCindam, Sivam... dentre outras barbeiragens. Afinal corrupção é novidade do governo Lula? Faça-me o favor!

Ídolos

O ídolo significa uma ilusão que está fora de nós.

No tempo de Samuel o povo desejava um rei. Na verdade estavam mais dispostos a obedecer à voz humana de um rei do que a ouvir diretamente a voz de Deus. Temos uma incompreensão da invisibilidade de Deus e, como é marca do nosso tempo, precisamos de um ídolo.

Estamos a procura de ídolos que sejam visíveis, palpáveis, que sirvam de modelo para nós, que vençam por nós aquilo que não conseguimos vencer, que nos redimam em nossas vidas, que justifiquem a nossa torcida, que nos alegrem, que transformem a nossa realidade sem graça em algo especial.

Foi notório certa vez, quando perguntei aos meus alunos quais deles haviam chorado pela eliminação da Seleção nas quartas de final. Os mesmos alunos que confessaram ter chorado pela seleção brasileira foram os que, quando perguntados, disseram em outra ocasião que todos os negros brasileiros são ladrões. Tornou-se uma farsa genérica, que até eles mesmos começaram a acreditar, não obstante a própria seleção brasileira tivesse uma grande quantidade de jogadores negros.

Conseguimos ficar indignados com a perda da seleção brasileira, mas perdemos a capacidade de nos indignar com a pobreza e a miséria. Moradores de rua tornaram-se parte da paisagem urbana e já não nos causam mais estranhamento.

Quando desejamos um ídolo deixamos de olhar para Deus e para nosso próximo, aquele que está ao nosso lado. Preferimos viver na fantasia do ídolo que nunca virá do que, juntos com Deus, transformarmos a nossa realidade.

Peregrinante

"Escolhi esse nome "peregrinante", porque é exatamente como me sinto diante dessa vida passageira! Como diz a palavra de Deus não somos mais que um sopro. E também porque sempre que eu vier postar provavelmente eu vou estar postando rapidamente porque tem tanta coisa pra fazer hehe. Mas, principalmente pelo primeiro motivo. Acho que o que realmente importa nessa vida é estar sempre seguindo os ensinamentos de Cristo e colocar em primeiro lugar o que mais importa confiando o resto à Deus (Lucas 9. 24)."

Recomendo a todos o blog da minha priminha Bruna, chamado Peregrinante. Apareçam por lá!

Changeman

Quem não lembra?

Notícias de uma guerra esquecida

Um dos mais conhecidos frades franciscanos do século XIII, Roger Bacon[1], denunciava em sua Opus Maius a "guerra santa" das Cruzadas contra os muçulmanos.

Ele argumentou que as Cruzadas envolveram a igreja em questões seculares, provando seu argumento pela Cruzada Francesa contra a casa de Catalunha-Aragão (que exterminou muçulmanos e cristãos).

Além disso, elas não funcionavam para o fim que se usava para justificá-las: a conversão dos infiéis. Mesmo quando os infiéis eram vencidos, os cristãos não possuíam tropas suficientes para dominá-los a posteriori.

Roger Bacon escreveu ainda que os infiéis
"não são convertidos pela guerra, mas ao contrário são assassinados e mandados para o inferno... [aqueles] que labutam pelas suas conversões, especialmente os Cavaleiros Teutônicos, querem, na verdade, colocá-los sob escravidão (...) como Dominicanos, Franciscanos e outros homens confiáveis por toda a parte da Alemanha e Polônia notaram. Os pagãos, em conseqüência, defendem-se a si mesmos, não porque eles tenham uma religião melhor, mas porque eles resistem à violência"[2].

Alguma semelhança com as cruzadas norte-americanas no Iraque?





O jornal Washington Post revela estudo que estima 600 mil iraquianos já mortos desde o início da guerra, em 2003.

[1] Roger Bacon (1214 – 1294), além de membro do clero era empirista e filósofo, também conhecido como Doctor Mirabilis (Doutor Admirável).
[2] BACON, Roger. Opus Maius, 3, 3 I3 e 4, 2 I (ed. J. H. Bridges, Oxford e Londres, 1897-1900), II, pp. 121 e 200 in MUNDY, J. H. The High Middle Ages 1150-1309. Londres: Folio Society, 1998 p.48

Novas criaturas

Proponho esta pequena reflexão sobre a parábola escrita por Neil Anderson.

Imagine por um momento um estudante típico de universidade, bem machão.
Nós o chamaremos de Fernando. Está metido em todas as atividades da universidade. Sente que está formado de glândulas salivares, papilas gustativas e instintos sexuais. Com esta percepção, como Fernando preenche seu tempo? Comendo bastante e correndo atrás de meninas. Come tudo o que vê sem levar em conta o valor nutricional dos alimentos. Anda atrás de qualquer saia, mas sente-se muito atraído por Fabíola, uma colega charmosa.
Um dia, quando Fernando estava correndo atrás de Fabíola pela universidade, foi notado pelo treinador de atletismo. “Veja como esse moço corre bem!” Quando o treinador conseguiu alcançá-lo, perguntou-lhe: “Por que você não treina como corredor?”
“Esqueça”, retrucou Fernando, olhando Fabíola com um canto do olho. “Estou muito ocupado”.
Mas o treinador não aceitou um “esqueça” como resposta. Acabou convencendo-o a pelo menos tentar correr.
Assim que Fernando começou a treinar descobriu que podia mesmo correr. Mudou seus hábitos alimentares e de descanso e com isso seu desempenho foi melhorando. Inclusive começou a ganhar corridas com um tempo excelente.
Finalmente Fernando foi convidado a participar de uma importante corrida num torneio estadual. Chegou à pista bem cedo para fazer seus exercícios de aquecimento. Então, apenas alguns minutos antes da competição, adivinhe quem apareceu? A Fabíola, mais gatinha do que nunca! Aproximou-se de Fernando trazendo nas mãos uma torta de maçã coberta de sorvete.
“Tenho tido saudades de você, Fernandinho” exclamou docemente. “Se vier comigo agora pode ter tudo isto e a mim também.”
“Mas de jeito nenhum, Fabíola” Fernando respondeu.
“Por que não?” queixou-se ela.
“Porque eu sou um corredor.”

Qual é a diferença no Fernando? O que aconteceu com suas glândulas e instintos? Ele continua sendo o mesmo rapaz que podia acabar com uma torta, dois saquinhos de batatas fritas, quatro Big Mac’s e um litro e meio de coca-cola, sem pensar duas vezes. Mas sua percepção de si mesmo mudou. Já não se vê principalmente como um pacote de desejos físicos, mas sim como um atleta disciplinado. Veio para a competição para ganhar. Esse é seu propósito. E a proposta de Fabíola contraria a maneira como ele se percebe (um atleta) e seu propósito de vencer a corrida.

O motivo pelo qual muitos cristãos não conseguem ter liberdade do pecado e viver a vitória em Cristo (nossas heranças como filhos de Deus) é que têm percepções erradas de si mesmos. Não se vêem como realmente são em Cristo. Não compreendem as mudanças drásticas que ocorreram neles no momento em que aceitaram a Jesus. Não se enxergam como Deus os enxerga e, ao mesmo tempo, sofrem com uma auto-imagem distorcida.

“Antes, vocês estavam longe de Deus e eram inimigos dele por causa das coisas más que vocês faziam e pensavam. Mas agora, por meio da morte do seu Filho na cruz, Deus fez com que vocês ficassem seus amigos a fim de trazê-los à sua presença para serem somente dele santos, inculpáveis e irrepreensíveis”(Colossenses 1: 21 e 22)

Dor de cabeça





Ia escrever hoje, mas estou com uma dor de cabeça terrível. Até.

Joio e Trigo 2


Algo muito bonito sobre a parábola do joio e do trigo eu aprendi há algum tempo com um irmão. Ele é pregador na Itália e, ao preparar sua exposição deste texto, buscou informações com um agricultor sobre o plantio dos grãos.

O fazendeiro contou que desde o mais tenro plantio o trigo e o joio confundem-se, pois possuem a mesma aparência. Até mesmo quando as plantas já cresceram – ainda estando verdes – elas continuam parecidas, o que torna praticamente impossível arrancar o joio do terreno neste estágio.

A única diferença entre as duas se dá no amadurecimento do grão, na época da colheita.

Quando o joio está maduro ele continua de pé, assim como quando ainda estava verde.
Porém, quando o trigo está maduro, ele dobra-se, mostrando que está pronto para ser colhido, assim como os filhos de Deus voluntariamente humilham-se diante de seu Criador e Redentor.

Provavelmente esta será a diferença entre os filhos do reino e os filhos do maligno no grande dia do Senhor (Mt 13:38).

“para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra” Fil 2:10

Joio e Trigo 1

“Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo;
mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se.
E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio.
Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?
Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio?
Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo.
Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.”
Mateus 13:24-30

As estórias (é... insisto nessa palavra) contadas por Jesus junto ao Mar da Galiléia no capítulo 13 de Mateus estão na mesma categoria de ensino sobre o reino dos céus que o sermão do monte (Mt. 5, 6 e 7).
Contudo estas parábolas tinham efeito inverso (de ocultar, e não elucidar) sobre aqueles que deixaram a alma petrificar-se e o coração tornar-se estúpido pelos ensinos dos fariseus e escribas (Mt.13:11-15).
A mudança ocorre pelo fato de que as parábolas – que eram outrora utilizadas para ilustrar e iluminar uma verdade espiritual (Mt. 5:13, 6:19) – tornam-se agora enigmas, muitas vezes indecifráveis sem auxílio do Cristo encarnado.

“De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis.
Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados.”

(Mt. 13:14 e 15)

Rejeitamos a análise liberal para as parábolas. Baseados no questionamento da autenticidade dos versos acima, os estudos modernos negam a veracidade da explicação da parábola do joio em Mt 13:36 (e também a do semeador, em Mt 13:18). Eles desejam entendê-las como alegorias com fins estritamente morais. Os liberais dizem que nestas “explicações inventadas” por Mateus e Marcos os ensinos que Jesus desejava transmitir em seu sentido mais simples foram complicados pelos próprios evangelistas.
Mas será que o sentido da parábola é apenas a própria narrativa que elas apresentam?
Não haveria nada por trás delas além de ensinos morais?

É mais honesto (pela Escritura e pela consciência) crermos que Jesus desejava, através das historietas, evidenciar os novos, assustadores e maravilhosos aspectos do Reino de Deus que se estava revelando (e que há de revelar-se) aos olhos dos discípulos, das multidões e de todos nós.
Conforme a reflexão de Chapman: “Mas as parábolas são compreendidas sempre sem explicação? Davi entendeu a parábola de Natã sobre a ovelha? Creio que muitos da multidão achavam que o nosso Senhor estava contando belas histórias, e não sabiam do que elas se tratavam”.

Por conta do tema da parábola e do conteúdo de nosso breve ensaio é pertinente reproduzir aqui um pensamento que li no aquadueo (muito bom!), com tradução própria:

“Acontece aos verdadeiros sábios o que se verifica com as espigas de grãos:
levantam-se e erguem orgulhosamente a cabeça enquanto vazias,
mas quando se enchem e amadurecem o grão inclinam-se e dobram humildemente.”
(Montaigne)

Humildade. Prostração. Reverência.
Palavras que combinam com o estudo da Palavra de Deus.

Orando no meio da violência

"O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio.
Vinde, contemplai as obras do SENHOR, que assolações efetuou na terra.
Ele põe termo à guerra até aos confins do mundo, quebra o arco e despedaça a lança; queima os carros no fogo.
Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra."

[Salmo 46: 7 a 10]

Orando no meio da violência

Não se pode escapar da violência nem acabar com ela usando a mesma arma. Existe algo que podemos fazer, além de contê-la o melhor que pudermos, e suportá-la estoicamente? Sim, podemos orar. Vozes respeitadas e sábias de todos os tempos dizem que a oração é o único ato que faz a diferença.

O Salmo 46 é uma dessas vozes, oração no meio da violência para agir diante dos problemas. É a correção de que precisamos desesperadamente para abandonar a prática indevida, embora generalizada de usar a oração como fuga. Quando o mundo distribui pancadas e humilhações com liberalidade demais, tentamos usar a prece como um mundo isolado de consolo onde desfrutamos da compreensão divina. Comparado à oração bíblica, e, em particular, ao Salmo 46, isso é visto como um sintoma de doença de espírito.

A oração saudável não resulta em afastamento, mas também não leva ao confronto. Não é tanto uma forma de lidar com o que está errado no mundo ou em mim mesmo. É um caminho para lidar com Deus no mundo e em mim. O mal (sob a forma de violência, no Samo 46) é encarado de maneira indireta: absorvido nas formas e cerimônias de oração. Orar liberta do ataque da brutalidade por nos colocar na energia da graça. Nesse processo, a violência se transforma.

Por todos os séculos, em todos os cantos do mundo, sempre houve gente que ora e que continua a causar um impacto incalculável. O fato de jornalistas não divulgarem isso não diminui a força da pacificação persistente. Essa gente leva a violência a sério, mas a mantém sob perspectiva. Deus requer que eu dê mais atenção a Ele do que à violência. Pensando nEle, vejo a cidade tomando forma no meio da catástrofe.

PETERSON, Eugene Onde o seu tesouro está – a importância da oração revolucionária. Textus: Niterói, 2005

Ateísmo


trouxe do :: a q u a d u e o :: (red_fox) que trouxe do gapingvoid

O certo e o duvidoso

“Não troque o certo pelo duvidoso”. Este tem sido o mote do Partido dos Trabalhadores nos últimos dias da campanha do Lula.
O argumento para o retumbaltissonante lema é o de que – hipoteticamente hein, veja lá! – se continua o Lula, já sabemos o que se pode esperar (o que se pode esperar?).
Caso entre o Alckmin virão as privatizações, volta a superinflação, cortes nos gastos sociais, o FHC, o diabo...

Mas, parado aí! Há algo de podre no reino da Dinamarca! E não me refiro às charges do Maomé.

Se o partido em questão fosse da direita ou ao menos um partido com uma proposta conservadora, vá lá! Mas estamos falando do PT (ouviu!? PT!!), que nossa história recente (salvo os anos de presidência) conhece como o partido das mudanças, da esperança, da proposta de um novo Brasil. Um partido que – pelo menos há 8 anos atrás – trocaria sim o certo pelo duvidoso.

(Poxa, eu que confiei o meu primeiro voto ao Lula em 98, pensava que ele fosse um cara da revolução, da mudança. E agora vem com esse papo de girondino, de certo e duvidoso. Give me a break!).

Eu queria ver é a esquerda mudar...

Bem (bem não, muito mal!), a sinuca está armada. E ela é de bico.
Eu que não pactuo com a direita, o que irei fazer?
Ou o “neo-PT conservador”... ou os reacionários declarados com gosto de Chuchu (eca!).

O 29 está chegando. E para onde iremos nós?

Autenticidade

De Belchior cantou Elis:
"Não quero lhe falar meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo"


Dos maiores desafios da vida cristã é viver coerentemente com o que dizemos crer. O amor de Cristo pelos humildes e pobres de espírito no seu tempo prova o desejo de Deus por pessoas autênticas.
Isso contrasta com os escribas e fariseus. Por causa da hipocrisia, Jesus inflamadamente denominou-os sepulcros caiados (Mt. 23).
Preferiu a espontaneidade da pecadora ao banquete de Simão, o fariseu.
Agradou-se mais na verdade das crianças do que nas adulações dos escribas.
Está mais interessado na essência (mesmo que haja falhas) que na aparência.

A sociedade de classe média ocidental pulverizou o miolo do cristianismo com água, açúcar e uma moralidade de meia-tigela (que também invadiu a igreja). Dizem ser o que não são exigindo dos outros o que também não podem ser pelas próprias forças. Fazem isso tudo baseados em atos estóicos, que glorificam o ser humano e não glorificam a Deus, visto que não são fruto do Espírito, mas do estoicismo barato que pregam.

O liberalismo na teologia desconsiderou a Palavra e, portanto, o Deus que se revela por ela. Agora tudo é festa para os liberais, que podem viver a anomia que sempre sonharam por causa dos modelos exegéticos furados que ostentam (pois afinal, há norma sem Escritura?). Para estes não há pecado, nem nada mais. Então se fez vã a graça, tornou-se vão o sacrifício vicário.

Como pecadores arrependidos, recebidos pela graça de Deus, trazidos à vida pelo Espírito Santo, o que resta aos cristãos?
A nossa resposta pode estar nas palavras do apóstolo Paulo quando era prisioneiro em Roma:

"Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados" (Ef. 4:1)

No trecho de Efésios “andeis” é peripathsai, a saber: viver, conduzir a si mesmo.

Paulo estimula os crentes a viverem dignos de sua vocação (filiação e herança, podemos acrescentar). Encaminhar suas vidas de acordo com a sua fé e fazerem isto de forma autêntica.

Na poesia Sérgio Pimenta escreveu:

“Olha que a coisa é séria, maninho
É para vivenciar
E não pra falar apenas certinho
Sem ter vida pra mostrar...”

Crer e viver. Desafio grande.

Recodação de Viagem


De madrugada, lembrando das missões...

"Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que nele crê não será confundido. Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!"
Romanos 10:11 a 15

Início

Começar um blog não é tarefa fácil. Necessita de mais disposição criativa do que a que tenho. Além disso é preciso tempo, artigo escasso nos nossos dias. Há um ano, porém, resolvi sair do Orkut, pra ver se economizava 15 minutos diários pra não sei o quê... E consegui. Agora vou gastar os tais 105 minutos semanais que ganhei nesse negócio aqui. Espero que esta árdua tarefa e este exercício literário possam ser mais úteis que bisbilhotar a vida alheia, vício do qual - tenho que confessar! - estava sendo vítima constante nos últimos meses que continuei como membro da grande comunidade Googleliana.

A proposta do blog é dizer algo sobre o Deus que nos acolhe. É também pensar sobre a história dos homens, os acolhidos e os não-acolhidos.

A estória (sim, eis um anglicismo que, contra todas as normas, não se deve abandonar) que Jesus contou sobre o rapaz voltando para casa é símbolo do perdão de Deus oferecido aos homens e Seu desejo de ver este mundo regenerado. A parábola, segundo alguns estudiosos, deveria ser conhecida como a do "pai amoroso". Todavia escolhi o nome "filhopródigo" pela sua alusão mais direta ao fato que norteia minha vida: estar de volta aos braços de Deus, pelos braços abertos de Jesus Cristo.

Sinta-se em casa.




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